segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Escola é lugar de imaginar, criar, viver e sonhar...


E se ainda não é, deveria ser.
Sabemos que a realidade da educação em muitos estados brasileiros é precária. Sabemos também que os professores precisam lutar incessantemente pelos seus direitos e para que sejam valorizados. Muitos são os obstáculos para que a escola se torne de fato o que este título propõe.
Por isso, estou prevendo muitos balõezinhos de pensamentos... “É fácil falar quando você não vive em uma realidade de pobreza. Lá vem mais uma sonhadora querendo transformar o mundo. Falar é fácil, quero ver colocar na prática.” Entre tantos outros pensamentos pessimistas. A boa notícia é que sou sim mais uma sonhadora querendo transformar o mundo em um lugar melhor. A má, é que sou realista e sei que não tenho super poderes para fazer isso sozinha. É por isso que essa sementinha deve ser plantada em pequenas atitudes e pequenos gestos. Paulo Freire já dizia Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo.”
Você não precisa transformar a sua prática em sala de aula da noite para o dia. Você começa dispondo as mesas da sala de forma diferente. No outro dia você recebe seus alunos com algum objeto diferente, algum brinquedo, algum cantinho. Quando você vê, a sua sala de aula já não é mais a mesma e nem você. Mudanças são difíceis. E sabe por que? Porque mudar consiste em reconhecer que algo que você faz, acredita ou pensa pode estar equivocado, ultrapassado e até errado. Errar ainda é um grande desafio para as pessoas, pois a grande maioria tem uma dificuldade muito grande de reconhecer que errou. São questões de Ego que a psicologia explica muito bem. Além de que, errar mexe muito com o orgulho das pessoas. Quando a sociedade entender o verdadeiro significado daquele clichê “errando é que se aprende” é que as grandes mudanças vão acontecer. Isso não se aplica somente a educação e o trabalho em sala de aula. É válido para todas as áreas da sua vida.
Imaginar, criar, viver e sonhar não deveriam ser vistos apenas como objetivos do planejamento do professor. Mas sim, como direitos da criança. A BNCC já prevê algumas destas ideias, mas isso é assunto para outra pauta. O blog está apenas começando, mas desde já gostaria de deixar registrado um pouquinho das ideias que acredito e das lutas que resolvi abraçar. Este é um blog sério que busca a humanização dos processos educativos em sala de aula. E como não custa sonhar, quem sabe fora da sala de aula também. Empreender ideias leva a gente a patamares que nunca pensamos estar. Imagina permitir que as crianças sintam o mesmo?
Então, com estas ideias iniciais gostaria de compartilhar alguns dos pequenos gestos que estimulam a criatividade, a imaginação, o sonho, a vontade de viver aquilo que se propõe por parte das crianças e dos educadores. Aqui está um detalhe que não deve ser esquecido. Quando você resolve criar formas de estimular a criatividade das crianças, a sua criatividade cresce junto. É uma via de mão dupla onde todos se beneficiam no final do processo. São exemplos que acontecem dentro de uma escola que acredita no poder da infância e que tem educadores comprometidos com seu propósito (esses propósitos ainda vão dar o que falar por aqui). Delicie-se destas ideias empreendedoras.
Hora do conto: histórias como ótimas e necessárias aliadas para a criançada soltar a imaginação e a criatividade. A professora Bruna Fernanda dos Santos encontrou na contação de histórias um propósito como educadora. A cada história contada tem um detalhe que encanta e isso faz toda a diferença. E não foi da noite para o dia que ela se tornou uma contadora de histórias de sucesso. Muita pesquisa, muitas inspirações, leituras diárias e uma Força T (Nathalia Arcuri usa o termo Força T de tesão. Aquela força que vem de dentro para fora e inspira) para encantar sempre que entra em cena. Na hora do conto que ocorreu na semana do Folclore a criatividade na confecção do recurso para apresentar os personagens foi incrível. Uma embalagem de pizza e um spinner viraram a roleta dos personagens do folclore brasileiro.
O parque como um espaço de grandes aprendizagens: Quem disse que não tem como inovar a hora de brincar no parque, é porque ainda não atingiu seu nível criativo. A professora Marina L. Schimdt transformou o parque em um espaço de encantamento e muita imaginação. Redes de dormir, mosqueteiro e objetos variados se transformam quando colocados no ambiente de forma criativa. Uma hora no parque pode ensinar habilidades para o resto da vida de uma criança. Além disso, brincar é um direito das crianças e deve ser uma constante no cotidiano escolar, ou seja, uma das principais ferramentas de aprendizagem e não apenas um momento para as crianças descansarem das demais atividades do dia. Para entender o poder da criatividade na organização dos espaços, confira as imagens a seguir e encante-se assim como eu.








terça-feira, 27 de agosto de 2019

Empreendedorismo na Educação Infantil e Anos Iniciais?


Pode isso produção? Pode!
Mas como assim empreendedorismo com crianças? Não é o ato de empreender em si. Tampouco a concepção de que empreendedor é apenas o empresário dono do seu negócio. A ideia de empreender na Educação Infantil e Anos Iniciais trata-se das habilidades necessárias para empreender. Seja uma ideia, uma metodologia, um negócio, ou uma organização, empreender exige algumas habilidades que não nascem de uma hora para outra. Uma pequena porcentagem de pessoas nasce com esta capacidade intrínseca em sua personalidade. Mas como desenvolver este potencial de empreender naquela grande parte das crianças e jovens que não foram privilegiados ao nascer?
Fernando Dolabela é um dos grandes nomes da Pedagogia Empreendedora no Brasil. Em 2002 escreveu o livro Pedagogia Empreendedora: o ensino de empreendedorismo na educação básica voltado para o desenvolvimento social sustentável. Essa ideia atingiu um grande número de escolas, professores e alunos, mas ainda não foi disseminada de forma concreta pelo resto do nosso país. Então, vamos procurar compreender quais são os fundamentos desta metodologia de ensino e encontrar formas criativas e inovadoras de implantar na nossa sala de aula. Quando compreendemos as tantas vantagens de ensinar as crianças desde a educação infantil que empreender é uma habilidade necessária para o século XXI, podemos criar alternativas diferenciadas de trabalhar na escola. Por que deixar para ensinar o empreendedorismo no ensino superior, se podemos encontrar mentes empreendedoras já na infância?
Avante! Primeiro vamos ver o que diz o dicionário Aurélio (2010, p.280) sobre o significado da palavra empreender. Para a Língua Portuguesa empreender vem do Latim imprehendere. É “propor-se, tentar (ação, empresa laboriosa e difícil). Pôr em execução.” Portanto, empreender nada mais é do que propor-se a tentar uma ação. Esta ação pode ser uma empresa, mas vamos deixar de lado esta ideia e focar no ato de agir e propor-se a fazer algo.
Vamos pensar! Quando uma criança resolve desenhar na parede da casa. Qual é a sua reação? Você percebe que a casa está muito quieta e vai atrás da sua filha. A cena que você está vendo é o seu batom Mary Kay na cara inteira da menina. O que você faz? Na grande maioria das vezes a primeira reação e julgar como errado este ato, agindo de forma agressiva para corrigir a ação da criança. Professores fazem o mesmo. O professor chega todo empolgado na escola com a atividade de pintura que planejou. Ele imagina as crianças fazendo aquela releitura. O que ocorre na hora da atividade é que as crianças resolvem misturar todas as tintas e pintam inclusive as mesas e os cabelos. A nossa reação mais óbvia é afirmar que deu tudo errado e punir as crianças por terem feito a explosão de tinta.
Ora, o ato de empreender é justamente agir. Não uma ação qualquer. É agir com criatividade, com liberdade, espontaneidade e imaginação. Quando limitamos as possibilidades das crianças na hora de criar, elas não conseguem demonstrar todo o seu potencial criativo.  Se analisarmos mais profundamente, quando planejamos já limitamos as possibilidades das crianças, pois criamos uma expectativa ao final da atividade ou do projeto. Ao criar expectativas estamos muito mais propensos a frustração. Veja bem, não estou afirmando que não devemos criar expectativas, mas sim que não devemos criar expectativas estereotipadas e limitadas. Expectativas saudáveis são aquelas que nos deixam curiosos para saber o que cada criança vai ser capaz de produzir e ao final do processo vibrar, pois a criança criou o que você nunca imaginaria.
Portanto, empreender é também ser criativo. Criar envolve inovar. Por isso, vamos agora trazer algumas contribuições da área dos negócios. O que é empreender quando se trata de criar uma ideia de sucesso? Idalberto Chiavenato (2014, p.345) nos traz grandes contribuições quando o assunto é gestão de pessoas e empreendedorismo, afinal ambos caminham juntos. Quando empreendemos estamos lidando com pessoas e pessoas precisam de gestores, líderes que engajam. Sobre isso ele afirma que
[...]A habilidade de encorajar a criatividade e tolerar erros parece ser, hoje em dia, uma das mais importantes responsabilidades gerenciais. Pois quem erra pode acertar mais rapidamente. A criatividade é a base para a mudança construtiva e o seu aspecto mais importante é a inovação.
A inovação requer criatividade. Inovação é o processo de criar novas ideias e colocá-las em prática. É o ato de convergir novas ideias para aplicações concretas na situação.
Podemos encarar os erros de duas maneiras: nos frustramos e desistimos de melhorar ou olhamos para o erro como uma forma de aprender onde podemos crescer. A proposta de empreender com crianças é justamente propor que as crianças analisem seus erros e sejam capazes de encontrar pontos positivos de aprendizagem. Elas precisam compreender que os erros são parte do processo para alcançar o sucesso em qualquer área da vida. Erros são ferramentas de aprendizagem maravilhosas quando encarados de frente. Jane Nelsen (2015) defende justamente que erros são excelentes oportunidades de aprendizagem. Já a criatividade é a saída mais construtiva quando nos deparamos com um erro. O profissional do futuro não será aquele que nunca erra, mas sim aquele que desenvolveu a capacidade de ser criativo e inovador na superação do erro. Seguindo esta linha raciocínio e avançando um pouco mais nesta concepção de empreendedorismo, vamos direto ao ponto. O que é empreendedorismo? Baggio e Baggio (2014, p.26) dizem que
O empreendedorismo pode ser compreendido como a arte de fazer acontecer com criatividade e motivação. Consiste no prazer de realizar com sinergismo e inovação qualquer projeto pessoal ou organizacional, em desafio permanente às oportunidades e riscos. É assumir um comportamento proativo diante de questões que precisam ser resolvidas.
O empreendedorismo é o despertar do indivíduo para o aproveitamento integral de suas potencialidades racionais e intuitivas. É a busca do auto-conhecimento em processo de aprendizado permanente, em atitude de abertura para novas experiências e novos paradigmas.
Então, vem a pergunta que possivelmente vai surgir ao ler essa ideia de empreender na infância. O que tem a ver com educação infantil e anos iniciais a gestão de pessoas defendida por Chiavenato e a concepção de empreendedorismo citada pelos autores Adelar Baggio e Daniel Baggio? TUDO. Quando começamos a desenvolver a criatividade necessária para empreender? Em que momento desenvolvemos o nosso potencial inovador? Qual é a hora certa para começar a encorajar a criatividade?
A neurociência já comprovou que as nossas habilidades são desenvolvidas pela prática, assim como já provou que crianças possuem uma elasticidade muito grande no cérebro o que possibilita aprender e modificar conhecimentos e crenças com muito mais facilidade. Então, vamos começar a desenvolver nossa criatividade e aptidão de inovar quando tivermos trinta anos de idade e ainda não tivermos a carreira de sucesso que tanto queremos? Ou vamos começar a desenvolver estas competências já na infância para que quando as crianças chegarem na fase adulta sejam capazes de criar e inovar no seu empreendimento ou na organização em que vão colaborar?
Portanto, as escolas de educação infantil e anos iniciais precisam pensar em metodologias ativas que possibilitem o desenvolvimento de habilidades empreendedoras desde a infância. O papel da escola já não é mais transmitir conhecimentos, pois estes estão em todas as ferramentas de pesquisa digitais que conhecemos hoje. A instituição escolar tem pela frente o grande desafio de formar crianças e jovens com competências de criar e inovar. E mais ainda, crianças e jovens que sejam capazes de exercer o autoconhecimento e a gestão de suas emoções. Ora pois, empreender é encorajar o espírito criativo. Espírito esse que supera os erros e aprende com eles. É uma emergência da atualidade pessoas que sejam capazes de desenvolver soluções criativas e inovadoras em meio ao caos e as frustrações do mundo capitalista.
Empreender pequenas ideias e ações hoje, para empreender grandes projetos e negócios no futuro. Se começarmos agora a semear nos jovens e crianças estas novas competências, nossa colheita no futuro só poderá ser a melhor. Será esta uma ideia utópica?

Referências:
BAGGIO, Adelar Francisco. BAGGIO, Daniel Knebel Empreendedorismo: Conceitos e Definições. Revista de Empreendedorismo, Inovação e Tecnologia: vol.1, 2014.
CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. – 4. ed.-  Barueri: Manole, 2014.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Míni Aurélio: o dicionário da língua portuguesa. – 8. ed. – Curitiba: Positivo, 2010.


segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Nasce uma ideia

Entre construções e desconstruções; conquistas e frustrações; ações grandiosas e inovadoras a Educação Infantil vem se reinventando no último século. Poucas são as pessoas que se dedicam a pesquisar e escrever sobre o universo infantil. Escolhi ser uma destas poucas pessoas por acreditar que é na infância que nascem os adultos de sucesso. É na infância que o potencial criativo do ser humano nasce. Mas, infelizmente é na infância também, que na maioria das vezes este potencial é arrancado com práticas pedagógicas de cunho repetitivo e transmissivo. As crianças de hoje serão os adultos do futuro, ou seja, aqueles que se tornam empreendedores com um potencial criativo e inovador ultrapassando as fronteiras deste país e porque não do mundo. 
Esta ideia não surgiu do nada, e não é tão inovadora quando se pensa. Uso uma ideia de um influenciador financeiro que conquistou uma legião de seguidores justamente por se tornar um adulto de sucesso antes dos trinta anos de idade pela sua capacidade empreendedora. Thiago Nigro em uma de suas lives no Instagram do desafio "O Código da Riqueza" apresentou a ideia de que existem alguns tipos de pessoas que basicamente são as copiadoras, as que criam uma nova ideia a partir de ideias já criadas e as que inovam, portanto, criam algo que ainda não existia. 
Então, a ideia do empreendedorismo na infância nada mais é do que uma reinvenção de algumas teorias do século passado, com ideias inovadoras de autores da atualidade e grandes nomes que nunca saem de moda quando se fala em educação como, Paulo Freire e Rubem Alves. Além de contar com a grandiosidade de um best-seller internacional que aos poucos vem ganhando espaço no cenário da educação. A Disciplina Positiva de Jane Nelsen aborda formas de como educar filhos e alunos com grande potencial empreendedor sem podar as suas maiores habilidades pela humilhação e rigidez. A proposta da Disciplina Positiva é encorajar as crianças para que enfrentem seus medos e inseguranças com o objetivo de se tornarem adultos de sucesso, capazes de superar frustrações e de realizar seus maiores objetivos.
O assunto da próxima postagem é a explicação do termo empreender aplicado na educação infantil. É uma ideia ousada e desafiadora, pois usa de teorias do mundo dos negócios para embasar novas práticas pedagógicas na infância. Precisamos estar conscientes de que no futuro, quando as crianças de hoje forem os adultos, muitas das profissões que conhecemos se tornarão obsoletas. Ouso dizer até, que muitas nem existirão mais, assim como aconteceu com as telefonistas, por exemplo. A preocupação é justamente preparar estas crianças para que no futuro estejam aptas a criar alternativas de sucesso em suas carreiras sem sofrimento. Para que saibam trabalhar a gestão das suas emoções superando as suas crenças limitantes e as frustrações do universo capitalista.
Hoje nasce um blog que tem a genuína intenção de fazer contribuições para educadores infantis que buscam formas de fazer um trabalho inovador e criativo. Sempre ouço da coordenadora da escola em que trabalho que sozinhos vamos rápido, mas juntos vamos longe. É com esta ideia que convido você educador infantil a acompanhar as postagens e contribuir para uma educação de qualidade. Mas atenção, se você é educador porque não tem outra opção e só trabalha pelo salário do final do mês (que convenhamos não é tão motivador), este blog não é para você. 

O blog foi pensado com muito amor para aqueles educadores que fazem da sua profissão um propósito (isso é assunto para outro post) de vida.